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Venezuela, Brasil e Estados Unidos: quando a geopolítica vira disputa de narrativa

 

Mapa político e geopolítica mundial

A geopolítica influencia governos, economias e a vida cotidiana dos países.

Nos últimos anos, a Venezuela tem ocupado um lugar central nos debates políticos da América Latina. Crises institucionais, sanções econômicas, disputas de poder e uma intensa guerra de narrativas colocaram o país no centro de uma disputa geopolítica que envolve diretamente os Estados Unidos — e que também repercute no Brasil.

Para compreender melhor esse cenário, o cinema se torna uma ferramenta poderosa. O documentário “A Revolução Não Será Televisionada” oferece uma visão crítica sobre como interesses políticos, econômicos e midiáticos se entrelaçam quando o assunto é poder.

O filme como lente para entender o poder




A mídia tem papel central na construção das narrativas políticas.

Lançado em 2003, o documentário acompanha os bastidores do golpe de Estado ocorrido na Venezuela em 2002, quando o então presidente Hugo Chávez foi temporariamente afastado do poder.

Diferente da versão divulgada por grande parte da mídia internacional na época, o filme revela acontecimentos internos do Palácio de Miraflores e expõe:

  • a atuação de setores empresariais e militares;
  • a manipulação de informações;
  • o papel estratégico dos meios de comunicação;
  • a rápida legitimação internacional de um governo provisório.
O documentário levanta uma questão essencial: quando o poder está em jogo, quem controla a narrativa?

Estados Unidos e a geopolítica da influência



A influência política dos EUA na América Latina é histórica.

Historicamente, os Estados Unidos exercem forte influência política e econômica sobre a América Latina. No caso da Venezuela, essa influência se manifesta por meio de sanções econômicas, pressões diplomáticas e apoio indireto a setores opositores.

O filme não apresenta respostas prontas, mas provoca reflexão sobre o discurso recorrente de “defesa da democracia” e como ele pode ser utilizado de acordo com interesses estratégicos globais.

E o Brasil nesse contexto?

Congresso Nacional do Brasil
O Brasil também vive disputas intensas de narrativa política.

Embora o Brasil possua uma realidade distinta da venezuelana, alguns elementos se aproximam: polarização política, disputas narrativas acirradas e o uso massivo da mídia e das redes sociais como instrumentos de convencimento.

Assim como na Venezuela retratada pelo documentário, o debate público muitas vezes deixa de girar em torno dos fatos e passa a ser dominado por versões dos fatos.

Por que esse filme continua atual

Mesmo tendo sido produzido há mais de duas décadas, A Revolução Não Será Televisionada permanece extremamente atual. Ele contribui para:

  • o desenvolvimento do pensamento crítico;
  • a desconfiança saudável de versões únicas da história;
  • a compreensão do papel da mídia na política;
  • a leitura mais consciente da geopolítica internacional.

Conclusão

A situação da Venezuela não pode ser analisada de forma isolada. Ela faz parte de um jogo geopolítico maior, envolvendo interesses globais, influência midiática e disputas de poder — elementos que também atravessam o Brasil e os Estados Unidos.

O cinema, quando bem utilizado, deixa de ser apenas entretenimento e se transforma em uma ferramenta de reflexão. Assistir, questionar e comparar contextos é essencial para não sermos apenas espectadores passivos da história.

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